Setembro Amarelo: Falar sobre suicídio é a melhor solução

Setembro Amarelo: Falar sobre suicídio é a melhor solução

Para chamar a atenção sobre a prevenção ao suicídio, o Núcleo Setorial da Mulher Empresária, em parceria com o Grupo Aconchego, promoveram o evento Amar & Elo, que reuniu mais de 120 pessoas na noite de segunda-feira (09), no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit).

Com mediação da psicóloga Débora Brand, o painel contou com a participação do professor doutor Edson Marques de Oliveira, da psiquiatra Raiza Foletto, do psicólogo Rodrigo Bonetti e da fundadora do Grupo Aconchego, Terezinha Magnabosco.

O objetivo foi repassar informações para que as pessoas saibam identificar quando alguém próximo, seja da família, do círculo de amigos, do trabalho, esteja passando por risco e possa ajudá-los antes que o suicídio aconteça.

A coordenadora do Núcleo Setorial da Mulher Empresária, Raquel Gehlen, ressaltou que a iniciativa, junto com o Grupo Aconchego, tem o propósito de chamar a atenção das pessoas para a preocupante realidade da alta taxa de mortalidade ocasionada por suicídio, principalmente entre os mais jovens. “Precisamos levantar essa bandeira, de olhar com mais atenção para dentro da nossa casa, saber realmente o que se passa com nossos familiares. Às vezes, quem a gente menos espera está vivendo uma grande angústia, mas não dá indícios e não percebemos. É preciso sair do modo ‘automático’, estar presente, ouvir, olhar e apoiar”, justifica.

O professor doutor Edson Marques de Oliveira fez uma contextualização sobre os índices de suicídio no mundo, no Brasil, no Paraná e na região oeste. Segundo ele, os dados são assustadores.

Baseado em reflexões de pensadores renomados, o professor apontou que as causas do aumento do suicídio estão associadas aos acontecimentos da sociedade pós-moderna, como por exemplo, ao aprofundamento do individualismo, das pessoas centradas em si mesmas, da grande busca por resultados, do excesso de positividade, das pessoas serem obrigadas a serem felizes e atender a modelos que não conseguem, da dificuldade de admitir que são vulneráveis, de que o sofrimento faz parte da vida e até do crescimento, entre outras. “Podemos dizer que uma das maiores causas das pessoas estarem preferindo tirar sua vida do que melhorar é a perda do significado de viver; existe um profundo vazio existencial, onde frustração de não conseguir preenchê-lo leva à perda de propósito e, logo, o suicídio se torna uma alternativa. Em outros termos, o ser humano não está sabendo viver no século XXI”, aponta.

Segundo a psicóloga Débora Brand, é importante falar sobre prevenção à saúde mental e desmistificar algumas crenças, de que depressão, ansiedade, é frescura, falta de Deus ou do que fazer. “Precisamos desconstruir esses preconceitos e, a partir disso, aproximar as pessoas da rede de apoio. Se uma pessoa se sente envergonhada por causa do seu problema, ela não vai procurar ajuda. Acreditamos que quanto mais falar sobre isso, mais as pessoas vão se sentir fortalecidos para buscar ajuda e saber que existem outros caminhos, que é possível solucionar a dor ou o sofrimento que não seja pelo suicídio”, frisa.

Dar sentido à vida

Para o psicólogo Rodrigo Bonetti, um dos aspectos mais relevantes quando se aborda a questão do suicídio é entender que as pessoas fazem escolhas diante de sua existência e, possivelmente, o que tem aumentado os índices de suicídio seja justamente a abrangência dessas possibilidades. “É fundamental estabelecer um projeto de vida, que faça sentido dentro de algo que o indivíduo acredite, para que isso tome corpo, direcione-o para que ele se sinta pertencente e saiba para onde caminhar.”

Contudo, observa, as dificuldades para lidar com tudo isso se acentuaram com a modernidade, em que houve rompimento com os ‘ritos de passagem’, que têm a ver com mudanças como nascimento, casamento, formatura, que eram caminhos bem delimitados e davam direcionamento aos indivíduos. “Esquecemos de criar outros ritos que dessem segurança a nossa existência. Esse talvez seja o ponto primordial, estabelecer algo que se perceba que seu caminho está sendo construído, que transcenda o existir e fazer as ações triviais, mas acreditar em algo maior. Como por exemplo, que seu trabalho sirva para algo maior do que apenas um retorno financeiro, ou que a sua família seja muito mais do que apenas pessoas, mas seja o teu porto seguro, a fonte de sentido da vida”, explica.

Neste sentido, o psicólogo entende que quando se trabalha dentro de uma possível prevenção em relação ao suicídio, o primeiro aspecto mais importante é entrar em contato com esse assunto, saber que é real e então fazer com que a pessoa se conecte com o seu meio, envolver família, amigos, as pessoas próximas que realmente se importem.

Quando se está diante de alguém que está pensando em suicídio ou idealizando isso, relatando situações de fragilidade, é preciso dar o suporte para que esta pessoa possa ter uma rede de contato, que faça com que ela entenda que é importante, orienta o psicólogo. “A partir do momento que somos importantes para o outro, que conseguimos nos sentir pertencidos e amados, estar vivo passa ter um significado muito maior, a vida ganha um novo olhar”, enfatiza.

Apoio

A fundadora do Grupo Aconchego, Teresinha Magnabosco, compartilhou sua história, relatando que há seis anos perdeu o filho e que levou seis meses para buscar ajuda de profissionais. Contou também como surgiu o grupo, em janeiro de 2014, que visa dar acolhimento a outras mães e famílias a superar a dor pela perda de seus familiares, apoiar as pessoas que passam por doenças como a depressão, entre outros problemas. “Só quem passou por isso sabe a dor da perda de um filho, de um familiar, dessa forma. Compartilhamos experiências e procuramos ser um ombro amigo, um apoio àqueles que precisam”, destaca.

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