Fracking, observatórios e economia criativa são debatidos pela Caciopar

Fracking, observatórios e economia criativa são debatidos pela Caciopar

Temas dos mais pertinentes à atualidade regional foram debatidos no sábado, durante a primeira reunião executiva sob o comando da nova diretoria da Caciopar, a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná. O presidente Sergio Marcucci, ao lado do prefeito Aldacir Pavan e de outras autoridades locais e regionais, abriu as atividades reforçando quanto o trabalho integrado das entidades organizadas é importante para o Oeste.

O ex-presidente da Acit, Edson Carollo, fez a apresentação inicial do tema Fracking, que, segundo ele, preocupa em função do método de exploração de gás de xisto que poderá vir a ser empregado na região. O Oeste está entre alguns pontos do território nacional com leilão de blocos, vencidos pela Petrobras e Copel. "O que preocupa são as consequências dessa prática ao lençol freático, aos aquíferos e à água de superfície, já que os efluentes dessa prática não têm tratamento".

Riscos

O assunto foi tecnicamente apresentado pelo engenheiro químico Carlinhos Fornari. A perfuração prevista é vertical e a extração do gás, que está encravado na pedra, é feita com jatos de água e de mais de 900 produtos químicos. Em cada fratura, e cada poço comporta até 18 delas, são necessários 20 milhões de litros de água. Apenas de 30% a 50% dos líquidos empregados na operação retornam à superfície. Há, entre eles, itens como mercúrio e até elementos radioativos contidos em rochas. Como não há tratamento, esse material fica armazenado em lagoas a céu aberto.

O grande risco da operação é a contaminação dos recursos de água doce disponíveis na região, inclusive rios e lagos. Nos Estados Unidos, que utilizam essa técnica, vários processos já chegaram à Justiça devido a danos à saúde das pessoas. Países como Bulgária e França proibiram o fracking e outros, como Alemanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos, já restringem o seu uso. O engenheiro florestal André Angonese apresentou números do agronegócio do Oeste, que movimenta R$ 14,5 bilhões por ano, e questionou se vale a pena colocar em risco uma atividade tão rentável em troca de uma matriz energética que o Brasil sequer sabe se precisa.

Economia criativa

O administrador e economista Sergio Luiz Kuhn apresentou, durante a reunião executiva da Caciopar, os dados de seu trabalho de doutorado que trata sobre economia criativa. Ele empregou como base do estudo os 20 menores municípios da região, que têm população de até sete mil habitantes. Para tanto, ele empregou uma teoria recente, criada na Austrália em 1994 e que chegou ao Brasil há apenas dez anos. Os municípios estudados são pequenos e periféricos, porque estão próximos de polos, como Cascavel e Toledo.

Eles têm em comum forte dependência agropecuária. Quanto maior a renda per capita menor é a necessidade de investimentos em áreas públicas, por exemplo. E o inverso ocorre naqueles de baixo IDH e menor renda. O estudo analisou os gargalos e, com base em entrevistas, indicou caminhos possíveis de avanço. A essência da economia criativa é estimular o crescimento por meio do turismo, da agricultura familiar e da cultura. Setores com potenciais nos municípios pesquisados, conforme Sergio.

Observatórios

Criado em 2006 em Maringá, o Observatório Social já está em 15 estados e em 80 cidades brasileiras. Além de fiscalizar a correta aplicação do dinheiro público, ele tem contribuído para fortalecer a economia dos seus municípios. Esse foi o foco da apresentação da coordenadora do Observatório Social de Marechal Cândido Rondon, Cristina Luisa Lizzoni, durante a reunião executiva da Caciopar. A colaboração ocorre ao divulgar sobre licitações públicas junto a empresas locais.

Cristina apresentou números que demonstram os avanços registrados em Rondon. De janeiro a abril de 2013, comparativamente a igual período deste ano, o crescimento de participação de empresas estabelecidas no município nas licitações saltou de 46% para 84%. O pregão presencial é o mais utilizado pelas prefeituras e o que permite a participação do maior número de categorias de pessoas jurídicas. A reunião abriu espaço também para apresentação do projeto Oeste em desenvolvimento e de informações sobre a próxima Convenção Anual da Faciap

 

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